O Gui já tinha assistido quando era mais novo e avisou: "O negócio é meio impressionante!" E tinha toda razão: à meia noite, as luzes do Centro Histórico se apagaram e a cidade passou a ser iluminada pelas tochas dos farricocos, personagens de vestes coloridas, com capuzes pontudos e pés descalços, que representam os soldados romanos na perseguição a Jesus. Algumas tochas também foram distribuídas pelos organizadores entre os fiéis que acompanham a Procissão (inclusive eu). Mesmo com chuva, as tochas não se apagaram e o espetáculo foi completo.
| Os farricocos prontos para o início da Procissão do Fogaréu. Foto gentilmente cedida por Lúcia Araújo. |
A Procissão se iniciou em frente à Igreja da Boa Morte, de onde o farricocos seguiram em marcha e ao ritmo dos tambores até a Igreja Nossa Senhora do Rosário. Em frente a esta igreja, encontraram a mesa da última ceia já dispersa, havendo uma pequena encenação. A marcha se reiniciou até a Igreja São Francisco de Paula, onde o Cristo, representado por um estandarte pintado pelo artista goiano Veiga Vale, foi encontrado e preso ao som de um clarim. Neste momento também foi realizada uma homilia pelo pároco da cidade, e a Procissão terminou em frente à mesma igreja do início, a da Boa Morte.
Acompanharam os farricocos um coral de vozes, que cantou nos três momentos de parada em frente à igrejas, e conjunto de tambores, que impuseram o ritmo à marcha e tornaram o espetáculo ainda mais emocionante.
| Os farricocos em frente à Igreja N. S. do Rosário. Foto gentilmente cedida por Maísa Narvaez. |
Neste ano havia muita gente acompanhando a Procissão, inclusive alguns que estavam lá mais pela farra que pela celebração. Isso atrapalhou um pouquinho, porque o pessoal conversava, gritava, fazia barulho, e tirou um pouco do brilho e da seriedade da encenação. Também achei meio corrido (em uma hora terminou tudo), talvez tenha sido por causa da chuva... Parece que em anos anteriores era uma hora e meia de duração.
Tentamos acompanhar, mas era tanta gente que acabávamos ficando lá pra trás. Como nas paradas eles esperam o pessoal chegar e se aglomerar para iniciar a encenação, conseguimos assistir, mas fotografar estava meio impossível, ainda mais com chuva. Se seu objetivo é fotografar não é uma boa ideia tentar seguir a Procissão, pois não dá tempo de chegar e conseguir uma boa posição. Talvez seja mais tranquilo seguir direto para a Igreja São Francisco de Paula, onde é encenada a prisão, e já tentar garantir um bom posicionamento para as fotos. Fiquei com inveja do repórter da Globo lá no meio das tochas.
Mas, valeu a pena! É um espetáculo único. Na sexta feira santa também há a Procissão do Descendimento e do Cristo Morto, que também parece ser bem bonita, mas não ficamos pra assistir.

Nossa, amei isso! Tenho muita vontade de participar deste evento. Adorei seu relato! Bjs!
ReplyDeleteSilvia!
DeleteQue honra vc por aqui :)
O espetáculo é bem bonito mesmo, apesar de ter se tornado turístico demais vale a pena assistir.
Obrigada pela visita!
Camila