A Cidade de Goiás (vulgo Goiás Velho) é a antiga capital do estado, e é uma cidade histórica muito bonita. Na Semana Santa, acontece a famosa Procissão do Fogaréu, quando as luzes do Centro Histórico são apagadas e a cidade é iluminada pelas tochas dos farricocos na perseguição a Jesus. É uma tradição linda, que eu era doida pra conhecer, e este ano consegui.
Mas não foi fácil hein... A Procissão acontece de quarta pra quinta feira santa, meia noite. Saímos mais cedo do trabalho e pegamos a estrada umas 17h, seguindo o caminho traçado pelo Tom Tom e também pelo Google Maps. Seriam 275 km, com previsão de 4h de viagem.
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| "Tá tranquilo, é um retão até lá!". Ledo engano. |
Chegando em Cocalzinho de Goiás, o GPS nos mandou entrar dentro da cidade. As placas concordavam, apontando o Parque Estadual dos Pirineus, em Pirenópolis. Pegamos uma rua estreita e demos de cara com a BR-070... uma estrada de terra! Voltamos pra pedir informação num bar que tínhamos visto no caminho, e a galera confirmou que era um trecho muito longo de terra, cheio de pedras, e nos sugeriram seguir para Pirenópolis por Corumbá. Bora né... Não queríamos pegar estrada de terra a noite depois da experiência na volta do Parque Torres del Paine.
Fizemos a meia volta e demos de cara com um monte de gente andando na pista, quase atropelamos uma meia dúzia. Quando tentamos ultrapassar, descobrimos que era um cortejo, muito mal sinalizado. O problema é que, durante a ultrapassagem, vinha um carro na nossa direção que, quando freou para não topar com a gente, levou uma batida na traseira de uma camionete que vinha atrás. Ai ai ai... Começou aquela discussão de quem era culpado pelo acidente, de quem ia ficar com o prejuízo, e depois de uma hora e uma contribuição financeira para o conserto, conseguimos seguir viagem.
Em Pirenópolis nos perdemos de novo, e paramos em outro bar pra pedir informação (aquela hora da noite era a única coisa aberta!). O tiozinho, já cheio de cerveja, soltou: "Pra Goiás? Hi... Você não chega lá hoje não, o caminho é muito complicado! Dorme aí mesmo!". Convencemos o cara que teríamos que estar lá naquele dia, e ele nos explicou que ainda não dava pra pegar a BR-070 e teríamos que seguir até Jaraguá. "Lá você pergunta de novo!"
O doido do GPS continuava insistindo para pegarmos BR-070, a de terra. Dois postos depois, descobrimos que teríamos que passar por Itaguaru, um ovo de cidade, e que a estrada de Jaraguá até lá tava "o puro buraco" (os goianos e suas expressões divertidas...). Ficamos meio perdidos de novo dentro da cidade, e paramos num hotelzinho pra perguntar. O vigia já tinha até se escondido achando que era assalto, coitado, de tanto que a cidade já estava deserta.
Nesta hora eu já tava achando que não chegaríamos a tempo pra Procissão, mas até que o estado do asfalto não era tão grave assim. Na cidade não tinha mais uma viva alma na rua, e nem uma mísera placa de sinalização... Acabamos encontrando uma moça fazendo faxina num posto que nos indicou o caminho até Itaguari, onde finalmente a BR-070 era asfaltada e a gente conseguiu se localizar.
Somando o tempo perdido no acidente, nas paradas pra pedir informação, e nos 40km acrescentados ao caminho, chegamos na Cidade de Goiás exatamente as 23h45, 15 minutos antes do início da Procissão. Descemos a ladeira da Praça junto com os ritmistas da Procissão! Ufa, essa foi por pouco...
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| O caminho na verdade foi assim |
Durante o percurso fiquei pensando naquele meu mapão do Guia 4 Rodas, quase rasgando de tanta dobra... Certeza que ele saberia que a BR-070 não era asfaltada! Aí entrei no site do Guia 4 Rodas, e não é que o mapão agora é online? É a seção traçar rota do site, onde você pode escolher a opção mais rápida ou mais curta.
Na seleção pela rota mais rápida, ele nos mandou passar por Anápolis, que apesar de ser mais longe, a estrada até lá é duplicada e, por isso, mais rápida. Escolhendo a rota mais curta ele sugere o mesmo caminho que o Google Maps, com uma importantíssima diferença: abaixo do mapa, na descrição do caminho, ele conta qual é o estado da estrada. Aí passa a ser problema seu qual caminho decidir, ele faz o trabalho dele de te avisar onde você vai se meter!
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| Olha só... o Guia 4 Rodas sabia que a estrada era de terra! |
Infelizmente não pudemos testar o caminho sugerido pelo Guia, porque na volta passamos em Goiânia e pra lá é outro caminho. Mesmo passando por Anápolis, o caminho sugerido pelo Guia 4 Rodas tem 16km de estrada de terra, que pode ser evitado passando por Jaraguá e Itaguaru.
Depois disso tudo, aprendi que a moça portuguesa do GPS fica perdidinha no interior do Brasil, e que o bom e velho Guia 4 Rodas ainda é a fonte mais confiável de informação (além dos tiozinhos dos postos e botecos, claro).
E você, ama ou odeia a mocinha do GPS? Desabafe nos comentários!





Nessa minha viagem para os EUA, o GPS me mandou pular de um viaduto para pegar a pista que passava por baixo dele e me mandou para uma rua sem saída pq o endereço que precisava ir estava atrás dela, mas separada por um muro... é cada uma viu...
ReplyDeleteOi Mari!
DeleteNossa, achei q pelo menos nos EUA o GPS fosse mais espertinho! Quem manda confiar?
Lá em Maceió ele me jogou no meio da favela!
Obrigada pela visita!
Eu AMO meus mapas (que são muitos, rasgados e colados com durex !!!). Não os troco por nenhum GPS !!! E, para onde vou, em qualquer lugar do mundo, a minha primeira parada é sempre em um quiosque de revistas para comprar os mapas por onde andarei, se ainda não os tenho !
DeleteÉ o jeito, né, leoolgaana! Essa forma moderna tá dando muita dor de cabeça.
DeleteObrigada pela visita!