Sunday, June 8, 2014

Neve no Yosemite National Park


FICHA TÉCNICA       
Período: chegada dia 31/3/2014 a noite, saída dia 2/4/2014
Hotel Primeiro Dia: Yosemite View Lodge
Hotel Segundo Dia: Days Inn Yosemite Sierra Inn
Transporte até o hotel: Carro alugado
Distância: 319km desde San Francisco
Transporte do hotel ao parque: Ônibus Yarts

O Yosemite National Park é um dos parques mais visitados dos Estados Unidos. Fica a umas 5 horas de carro de San Francisco, e suas imensas montanhas de granito levam milhões de visitantes para lá todos os anos.

Já que o nosso planejamento saiu bem diferente da realidade, vou dividir o post em dois: planejamento e a visita propriamente dita.

Planejamento

Como contei no post sobre a primeira parte do nosso roteiro na Califórnia, estávamos com receio que a neve no Yosemite atrapalhasse nossos planos, e por isso começamos o roteiro por Los Angeles. Apesar de termos ido na primavera, ainda há chances de neve nesta época do ano, o que pode atrapalhar a visita.

Pelo motivo de parte do parque ficar fechado até meados de abril por causa da neve, como a Tioga Road e a Glacier Point Road, achamos que um dia inteiro seria suficiente para passearmos pelo Yosemite Valley (Yosemite Falls, no mapa abaixo) e ver as sequóias do Mariposa Grove, fazendo apenas trilhas curtas. A ideia era sair de São Francisco e dormir no Yosemite, passear o dia todo e dormir fora do parque, pra economizar, pois já seguiríamos viagem para o Death Valley.

Mapa do Yosemite. Fonte: http://www.inetours.com/Yosemite/Yosemite_Map.html

Decidimos nos hospedar fora do parque, pois dentro as opções ou são hotéis chiques ou campings. Para não perder muito tempo com deslocamento, nos hospedamos no Yosemite View Lodge, na vila de El Portal, pertinho da entrada do parque. O hotel é super no meio do nada, mas tem tudo o que você precisa em um mini mercado (sem preços abusivos), um restaurante, uma pizzaria. Não conhecemos o restaurante porque todos os quartos têm uma mini cozinha toda equipada, então passamos num supermercado na vinda e fizemos as refeições no quarto mesmo.

O hotel é bem grande, com vários prédios, e tem aquela cara de motel americano que a porta do quarto dá direto pra rua. O quarto é bem espaçoso, com aquecimento, e o banheiro é imenso (até meio frio por causa disso). O café da manhã é pago a parte, e a internet também (10 dólares por 24 horas). Neste caso nem fiquei muito indignada com a sobretaxa do wifi, porque a conexão num lugar tão remoto deve ser bem cara.

 

Ficamos no Yosemite View Lodge apenas na noite prévia à da visita ao parque. Como não sabia se íamos querer dormir perto do parque novamente ou tentar adiantar a viagem pro Death Valley e dormir mais pra frente, não reservei o hotel da segunda noite.

Visita

Nos atrasamos na saída de São Francisco e chegamos ao Yosemite no final da tarde pela Highway 120. E o que queríamos evitar, aconteceu: neve! Nunca havíamos dirigido com neve (na Patagônia foi só um pouquinho), e eu tava lá morrendo de medo e o Gui achando a aventura o máximo.

 
A entrada do Yosemite pela Highway 120, e a neve na estrada. 

Passamos por dentro do parque para chegar a El Portal (tivemos que pagar a taxa de 20 dólares por carro), mas não vimos nada por causa do tempo fechado. A paisagem do ímã lá do começo do post vai ter que ficar para uma próxima visita :(

Acordamos no dia seguinte e olhamos pra montanha: tudo branquinho depois da nevasca da madrugada. Ficamos preocupados se daria pra fazer o roteiro de carro que havíamos planejado por não termos correntes para os pneus. Como o site de estradas da California (Caltrans) não tem informações do parque, pedimos pra moça do hotel ligar lá, e ela disse que precisaríamos das correntes para ir até o Yosemite Valley. Mesmo que não esteja nevando naquele momento, se houver previsão de neve o policial pode exigir que você tenha as correntes dentro do carro, e te dar uma multa se não tiver. Por isso achamos melhor pegar o ônibus da Yarts que passava em frente ao hotel (14 dólares ida e volta), e deixamos o carro lá com as bagagens no porta malas.

Chegando ao centro de visitantes, a frustração do roteiro não realizado passou na hora. As paisagens estavam deslumbrantes! Foi a primeira vez que vimos neve fofa, então a primeira atividade foi uma guerrinha de bolas de neve e montar um boneco! :)

O ponto de ônibus do Centro de Visitantes com neve. Lindo!

E logo na chegada demos de cara com uma das atrações do parque: os animais! Os veados são bem mansinhos e sempre andam em bando, mas não pode dar comida nem chegar perto. Os esquilos também são fáceis de encontrar.

Os ursos são comuns no parque, mas não vimos nenhum. Eles foram um dos motivos por eu ter descartado dormir no camping. Imagina acordar a noite pra ir ao banheiro e dar de cara com um urso?

Os animais do Yosemite

Mas não precisa ter medo de fazer as trilhas. Com a movimentação das pessoas, os ursos não aparecem nas áreas com muitos turistas, a não ser que você resolva fazer um piquenique fora das áreas autorizadas (#semnoção). No mapa do parque tem as dicas do que fazer se houver um encontro inesperado.

Nossa primeira parada foi o vale, todo branquinho.

Yosemite Valley branquinho

Aproveitando que não estava nevando, fomos fazer a trilha das Yosemite Falls, pertinho do Centro de Visitantes. É bem, curtinha, acessível pra cadeirantes, e linda! Clique nas fotos para ampliar.

 
A linda trilha Yosemite Falls

Nesta época pudemos apreciar o fenômeno do frazil ice, que se forma quando a névoa (por exemplo, de uma cachoeira) congela, então o rio fica parecendo que tem pedrinhas de gelo como um copo de refrigerante.

A trilha leva até o pé da Lower Fall. Em alguns pontos da trilha podemos ver tanto a Upper quanto a Lower Fall. Incrível!

 
O rio e o fenômeno do frazil ice; a Lower Fall de pertinho; a vista da Lower e da Upper Falls.

Depois da trilha voltou a nevar, então entramos no ônibus grátis que circula pelo Yosemite Valley e ficamos olhando pela janelinha (veja o roteiro do ônibus aqui). Ele passa a cada 10 minutos e os motoristas são super simpáticos, explicando o que você verá a cada parada.

No inverno o tempo de espera é de 20 minutos.

 
O ônibus grátis que circula pelo parque, e suas paradas com cara de casa do Zé Colmeia.

Os brasileiros aqui ficaram com medo da neve, mas da janela do ônibus vimos gente com carrinho de bebê do lado de fora! Ô coragem.

O tempo melhorou e descemos no ponto do Mirror Lake, onde pudemos ver o famoso Half Dome entre as nuvens. No caminho da trilha pudemos apreciar a beleza das árvores gigantes (clique na foto e olhe o meu tamaninho perto de uma delas!)

 
Half Dome; Mirror Lake, eu perto de uma das árvores gigantes.

Com o tempo aberto voltamos para o Vale, para apreciar novamente suas montanhas. Reparem a diferença da foto que botei acima! A neve derrete durante o dia e a paisagem muda.

Yosemite Valley

A última parada foi para ver a cachoeira Véu de Noiva (Bridalveil Fall). Infelizmente não fizemos a trilha até lá pois perderíamos o último horário do ônibus.

Bridalveil Fall vista do pátio do Yosemite Lodge

De volta ao hotel, decidimos seguir viagem e dormir em Oakhurst, pertinho da entrada do parque que leva às sequóias de Mariposa Grove. A ideia era acordar cedo no outro dia, ver as sequóias e seguir para o Death Valley.

Como a estrada até Mariposa Grove por dentro do parque ainda não estava liberada para carros sem correntes nos pneus, fizemos o caminho de 90 km passando pela cidade de Mariposa. Paramos no Burguer King de lá, fizemos um lanche e usamos o Wifi para reservar o hotel daquela noite, o Days Inn Yosemite Sierra Inn. Confortável, quentinho, limpo, com microondas no quarto e café da manhã incluído. O único porém é que não tem elevador, mas para cadeirantes há quartos no térreo.

 

Acordamos no outro dia de manhã, olhamos pela janela e... tava tudo branquinho, lindo! O Gui saiu tirando foto igual um louco. Tivemos a inédita experiência de ter que tirar neve de cima do carro. :D

 
Oakhurst toda branquinha; o nosso hotel e o carro cobertos de neve

E nosso planejamento falhou de novo: por causa da neve da noite, a estrada até o Yosemite continuava fechada para carros sem correntes nos pneus, de acordo com o site Caltrans. Esperamos um pouquinho no hotel e, como tinha parado de nevar e as máquinas já tinham tirado a neve das ruas, achamos que estaria seguro e seguimos sem as correntes para o parque, na esperança do Caltrans estar desatualizado.

O problema é que a estrada passa por dentro da Sierra National Forest, e a neve das árvores vai derretendo e cai na pista, deixando a estrada perigosa mesmo depois da passagem do caminhão de limpeza. A estrada estava cheia de placas avisando que as correntes eram necessárias, mas fomos seguindo devagarinho... até darmos de cara com uma barreira policial que não deixava ninguém passar sem correntes. E não é só a gente que tava sem: mesmo quem tem morre de preguiça de colocar porque dá o maior trabalho, por isso as barreiras.

O policial podia ter nos dado uma multa, mas nos liberou pra voltar pra cidade e comprar as correntes. Encontramos para o tamanho do pneu do nosso carro por 65 dólares. Além de ser caro, se você não colocar direito ela pode danificar o pneu e até a lataria se soltar, então resolvemos não arriscar.

 
Placas dizendo que as correntes são necessárias; barreira policial obrigando todos os carros a colocar as correntes.

Como não há ônibus de Oakhurst até o parque, ficamos sem ver as sequóias :(

É, vamos ter que planejar outra viagem pra lá sem neve.

Dicas Finais

Se ficamos tristes por termos pegado neve no Yosemite? De jeito nenhum! O parque é MUITO bonito, e vê-lo coberto de neve foi demais. Vale a pena visitá-lo nesta época com certeza. Mas você tem que estar preparado para mudar seus planos por causa do tempo, como tivemos que fazer. A tática de não reservar o hotel do segundo dia foi acertada: apesar de não termos conseguido ver as sequóias, conseguimos adiantar a longa viagem até o Death Valley.

Se você quiser ficar dentro do parque ou nas vilas próximas, reserve, pois os hoteis ficam cheios. Os hoteis dentro do parque têm que ser reservados com meses de antecedência.

Para comer há opções de restaurantes e lanchonetes no vale. Nosso almoço foi um cachorro quente na Degnan's Deli.

Criança feliz congelando a mão com a bola de neve
Roupas: o Gui e eu seguimos a história das camadas. Meu modelito foi:
- Corpo: segunda pele high tech da Uniqlo (falei dela aqui) + uma blusa de lã fina + casaco que comprei na Spider no outlet de Camarillo, um corta vento com capuz e um miolo mais quente, que você pode tirar se precisar. Foi a salvação, senão ia congelar!
- Pernas: legging de inverno por baixo da calça jeans.
- Pés: uma meia normal, uma de lã e minha bota de trekking da Bull Terrier, a mesma do Big Ice da Patagônia. A bota tava descolando (no Death Valley ela descolou de vez) e impermeabilização não funciona mais, aí o interior da bota umedeceu um pouco e passei frio! :(
- Acessórios: cachecol de lã da Uniqlo, meu gorro fashion (sério, um monte de gente já veio falar comigo por causa dele!) e uma bolsa a tiracolo com a câmera e os lanchinhos. Esquecemos as luvas, fizeram falta.

O Gui é menos friorento e usou só uma calça e uma camiseta por baixo do casaco, que é do mesmo estilo do meu.

Outros blogs que nos ajudaram (obrigada!) e onde você pode pegar mais dicas sobre a visita ao Yosemite:
- A visita no inverno, no Tô pensando em viajar;
- O completíssimo guia no Mauoscar, sem neve;
- As dicas de hospedagem e comida do Sete Malas;
- Dois tópicos nos fóruns de discussão do Trip Advisor sobre visitar o Yosemite no início de abril (aqui e aqui)


Última dica: se pronuncia "Yosêmite", não "Yosemaite". :)


2 comments:

  1. Um absurdo de bonita a paisagem que vocês pegaram lá com neve fresca. Muito massa!
    Eu acho que o Yosemite é bonito em qualquer estação do ano, sempre vale a visita.

    Em relação às correntes, você pode também ter problema com a empresa que aluga o carro, acho que normalmente eles não permitem. Provavelmente nada vai acontecer, mas eu prefiro não arriscar.

    Parabéns pelo post.
    Helder

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    Replies
    1. Oi Helder!
      Lá é lindo demais mesmo. Como disse o Gui, não dá vontade de ir embora.
      O nosso receio com as corrente foi esse mesmo, de acontecer alguma coisa e a locadora implicar. Daí preferimos não arriscar.
      Obrigada pela visita, volte sempre!
      Camila

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