Sunday, June 8, 2014

O surpreendente Death Valley National Park

FICHA TÉCNICA       
Período: 2/4/2014, saída dia 3/4/2014
Hotel: Yosemite View Lodge
Transporte: Carro alugado
Distância Primeiro Dia: 521 km de Oakhurst até Lone Pine
Distância Segundo Dia: 170 km até o Death Valley National Park + 228 km até Las Vegas

Depois da visita ao Yosemite National Park (que contamos aqui), o próximo parque foi o Death Valley National Park, o ponto mais quente, mais baixo e mais seco dos Estados Unidos. Fomos de carro, apesar da distância de 650 km a partir de Oakhurst (entrada sul do Yosemite), porque de avião seria mais cansativo: teríamos que voltar para São Francisco, a 330 km, voar até Las Vegas, e dirigir até o parque, a 212 km. Pra economizar 100 km, não compensaria fazer essa volta toda.

Além do mais, dirigir nos EUA também é um passeio :) As estradas da Califórnia são lindas, passando por cidadezinhas e campos de cultivo. Há três opções de caminho entre o Yosemite e o Death Valley:

- O mais longo: subindo e passando por Sonora e pela Stanislaus National Forest pelas estradas CA-108 e US-395.
- O mais bonito: passando dentro do Yosemite, pelo Mono Lake e pelas montanhas usando as estradas Hwy 120 e US 395, é o que os americanos chamam de "scenic drive". Tínhamos esperança de passar por ele, mas este trecho da Hwy 120 (Tioga Pass Road) ainda tava fechado por causa da neve :( Geralmente ele abre em meados de maio. Veja aqui as datas de abertura e fechamento nos últimos anos.
- O mais rápido: passando por Fresno e Bakersfield pela freeway CA-99, que foi o que fizemos.



A segunda dúvida foi escolher onde dormir, pois o Death Valley já é parte do deserto americano e é bem isolado. Vindo de Las Vegas há a cidade de Beatty, a 65km do centro de visitantes mas, vindo do Yosemite, a cidade mais próxima do parque é Lone Pine, a 170 km! Pra não pagar caro na hospedagem dentro do parque e não ter que dirigir 650 km no mesmo dia, escolhemos Lone Pine, como sugerido lá no Aprendiz de Viajante.

No caminho pra lá reservamos o Trails Motel, que ganhou o prêmio de pior da viagem! É muito simples e o quarto tinha um cheirinho de mofo. Não recomendo.

Mas Lone Pine é uma gracinha de cidade! Parecia que estávamos dentro de um filme de faroeste. Foi lá que comprei esse ímã de botinha :)

 
A farmácia e o Mc Donald's de Lone Pine, em estilo faroeste.

O tema do faroeste continua presente na cidade pois ela é uma importante locação de filmes desde a época de John Wayne, homenageado na fachada do hotel Dow Villa, onde ele se hospedava. Há um museu do cinema na cidade, com as histórias das locações, mas não visitamos.

A razão deste sucesso entre os diretores de cinema são as Alabama Hills, onde o deserto é cercado pela bela Sierra Nevada. Lembra das cenas do primeiro Homem de Ferro, quando ele é ferido no Afeganistão? Que Afeganistão que nada, foram gravadas em Lone Pine.

E devo concordar, a paisagem é realmente fotôgenica, tendo a Sierra Nevada como moldura. As formações rochosas do deserto são bem interessantes, principalmente a pedra em formato de elefante. Demos um passeio de carro por lá antes de seguir para o Death Valley, e encontramos com uma equipe filmando o próximo longa. :)

 
A Sierra Nevada e as formações rochosas nas Alabamas Hills, em Lone Pine. 


A viagem entre Lone Pine e o Death Valley foi bem tranquila, mas prepare-se pra não encontrar muitos pontos de apoio (os banheiros são horríveis).

Chegando ao Death Valley, a primeira parada no parque foi Father Crowley Vista e suas montanhas escuras, originárias de erupções vulcânicas. Logo depois vem o Panamint Valley, tão longo que é utilizado como campo de testes de aeronaves pelas forças armadas americanas. Já deu pra perceber a imensidão do parque, e tirar a foto jacu clássica!

 


A entrada do Death Valley National Park; Father Crowley Vista e a estrada que passa pelo Panamint Valley.

Seguimos então para a Stovepipe Wells Village, onde pagamos a entrada. As atrações desta região do parque são as dunas de Mesquita e as trilhas de Salt Creek e Harmony Borax Works. As dunas não têm tanta graça, as de Natal e as de Cumbuco/CE são mais legais.

A trilha de Salt Creek só funciona na primavera, época de reprodução de um peixinho super herói que só vive neste pedacinho de rio de água salgada, quente e que seca na maior parte do ano. Deu pra ver o bichinho se reproduzindo loucamente.

Já a trilha Harmony Borax Works percorre as ruínas de uma usina de refino do mineral borax, e tem uma das composições que um time de 20 (!) mulas puxava carregada com o mineral.

 
A trilha de Salt Creek; a bagagem do time de 20 mulas.

As atrações até este ponto do parque são interessantes, mas não tão imperdíveis. Se você estiver vindo de Las Vegas e não tiver tempo de ir até o Paramint Springs, não se preocupe.

As principais atrações ficam ao redor de Furnace Creek, onde fica o centro de visitantes. Há restaurantes, hoteis, um mercadinho e até um campo de golf. Almoçamos um sanduíche e seguimos para os outros pontos, pois já eram 2 da tarde e ainda falta muito pra ver!

O primeiro foi o Badwater Basin, o ponto mais baixo da América do Norte (86 metros abaixo do nível do mar), onde passeamos por uma passarela de sal. Nesta hora já estavámos sentindo a fama de ponto mais quente dos Estados Unidos e dando graças a Deus pelo ar condicionado do carro! Isso porque no dia anterior precisamos de tirar neve do capô do carro.

Badwater Basin

Seguimos para o Devil's Golf Course (Campo de Golf do Diabo), que possui interessantes formações de sal. Tem um pedacinho de estrada de terra pra chegar até o ponto, mas é bem tranquilo, não precisa de 4x4. É uma imensidão, ficamos pequenos na paisagem.

Devil's Golf Course

Depois pegamos a Artists Drive, que passa pelas belas montanhas coloridas do parque, a Artists Pallete. É uma estradinha estreita, de apenas um sentido, mas tranquila também. Cuidado: logo após as placas Dip vêm uma montanha russa! :)

Artists Pallete

Depois da Artists Pallete demos uma paradinha na trilha do Golden Canyon, que é bem bonita, mas não fomos até o final porque já estava ficando escuro e ainda tínhamos duas atrações pra conhecer: o Zabriskie Point e a Dante's View.

O Zabriskie Point também tem montanhas coloridas impressionantes. Olha o tamanhinho do turista lá no meio das montanhas.

Zabriskie Point

Infelizmente chegamos tarde para a vista mais incrível do parque: Dante's view. É uma subida estreitinha e complicada, mas vale muito a pena.

Dantes View

Pra quem puder dormir no parque, um dos programas noturnos é olhar para o céu. O Death Valley é um dos melhores lugares para ver as estrelas, pois é longe de qualquer iluminação de cidades.

Saímos do parque maravilhados. O Death Valley foi um dos parque que mais gostamos nesta viagem, talvez porque não estivéssemos esperando muito... Que graça que tem em ficar vendo deserto? Muita. A beleza do parque está na grandiosidade: são vales e montanhas imensas, impressionantes. As fotos não conseguem captar a beleza das paisagens.

Quer mais dicas? Passe também lá no Tô pensando em viajar. A Alessandra dormiu no parque, e conseguiu ver um lindo nascer do sol. Coisa que você só vai ver por lá, porque por aqui ninguém gosta de acordar cedo! :)

Esta foi nossa última parada na Califórnia, este pedaço incrível dos Estados Unidos, onde você tem cidade grande, cidade histórica, praia, neve, vinho e deserto! Um dia eu volto, quem sabe.

Veja tudo sobre nosso roteiro entre Los Angeles, São Francisco e Las Vegas.


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